Ex-foragido da Polícia Federal, Vitor Neto vira réu na Operação Argentum

– Então foragido da Polícia Federal e agora réu preso – após a juíza federal Vládia Maria de Pontes Amorim receber a denúncia do Ministério Público Federal contra aquele que se tornou um dos mais jovens símbolos da corrupção no estado do Piauí.

– Em tempos de delações premiadas, caso Vitor Neto ainda tivesse algo a acrescentar ao suposto esquema, para esclarecê-lo, o ideal seria tentar reduzir a sua possível pena e entregar os que estão acima dele. Todos eles, sem exceção. Fala, Vitor, fala..

FELIZ ANO VELHO

O empresário Vitor Alves Cardoso Neto, o Vitinho, virou réu no âmbito da Operação Argentum, da Polícia Federal. A decisão é da juíza Vládia Maria de Pontes Amorim, da 3ª Vara da Justiça Federal no Piauí.

Ágil, a magistrada em pouco mais de dois meses depois de mandar prender o jovem e pouco menos de dois meses depois da deflagração da operação pela Polícia Federal, ultimou os envolvidos a se pronunciarem previamente sobre o fatos, que considera, a princípio, consubstanciado por provas reveladoras.

No caso específico de Vitinho, ele é acusado de ter se beneficiado de um amplo esquema de corrupção, usando supostas empresas de fachada para desviar recursos de uma das áreas mais sensíveis de um governo: a Educação.

O jovem que se tornou, atualmente, um dos maiores símbolos da corrupção no Piauí, é acusado no âmbito da Lei de Responsabilidade, da Lei de Licitações e ainda da que trata sobre a Organização Criminosa.

A sensação daqui para frente é a de que o termo “Feliz Ano Velho”, em referência explícita ao livro de Marcelo Rubens Paiva, seja algo cada vez mais presente na vida do jovem – período quando ele gozava de dinheiro, prestígio, e vislumbrava um futuro promissor, amigo que era de inúmeras autoridades públicas no estado que lhe abriam as portas para vultosos negócios.

Em 2018, isso já não parece ser tão possível, abandonado que está por alguns e após o esquema ser desbaratado. A não ser que prove a sua inocência.

O PREÇO A PAGAR

Ao todo, os ilícitos dos quais Vitor Neto é acusado pode lhe render pena máxima de 20 anos de reclusão e até 8 anos de detenção.

Os crimes de se apropriar de bens ou rendas públicas ou desviá-los em proveito próprio, como também desviar ou aplicar indevidamente rendas ou verbas públicas, podem render ao empresário de 2 a 12 anos de reclusão, além de pena de detenção de 3 meses a 3 anos. Neste último caso, a pena é em face do segundo item do decreto-lei que trata da responsabilidade de prefeitos e vereadores.

Já por ter supostamente concorrido para a suposta fraude de licitação pública, a pena de detenção vai de 3 a 5 anos, além da aplicação de multa.

E no tocante à Lei de Organização Criminosa, Vitor Neto, diante da acusação de promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, a pena é de reclusão, e varia entre 3 a 8 anos, além, também, da aplicação de multa. Aqui a pena ainda pode ser agravada.

Para a magistrada Vládia Maria de Pontes Amorim, “há indícios de autoria, no momento”, para o recebimento da denúncia.

“Ademais, impõe reconhecer que a peça acusatória contém a descrição adequada dos fatos criminosos e a qualificação dos denunciados”, sustenta.

E ainda, que “há base empírico-probatória que sustenta a versão dos fatos exposta na inicial”.

A ação da Polícia Federal se baseou em um amplo relatório da Controladoria Geral da União (CGU), que detectou o desvio de cerca de R$ 2,7 milhões no apagar das luzes do governo Antônio Gomes de Sousa, o ostentador Antônio Parambu, que administrava o município de Prata do Piauí.

E pelo visto, administrava mal.

FELIZ ANO NOVO

Fonte: Portal 180 graus

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