A hora de um Wellington que diz ‘não’?

Wellington Dias: até mesmo aliados como Regina Sousa pedem um novo estilo do petista à frente do governo do estado

 

Em 2004, fui questionado na Espanha por um colega de Doutorado sobre as características do governador do Piauí, Wellington Dias. Wladimir Gramacho, o colega, queria conhecer mais do petista que chegara ao poder em um dos estados mais conservadores do país. Resumi o jeito de ser de Wellington com uma frase: “Ele tem uma característica que é ótima para ganhar eleição e péssima para governar. Ele não briga com ninguém. Ele não sabe dizer não”.

Com essa característica, Wellington amealhou apoios e chega agora ao quarto mandato. Algo de muito positivo tem no estilo. Mas, apesar do êxito nas urnas, o “jeito Wellington de ser” recebe reparos, que chegam através da mais insuspeita aliada, a agora vice-governadora Regina Sousa. Para ela, Wellington “precisa aprender a dizer não”.

Não é a frase que muitos políticos gostariam de ouvir no discurso de posse, ainda mais um punhado de políticos que se aproximaram do governador por essa capacidade que ele tem de agregar, em geral por nunca dizer não. Mas os tempos mudaram. E Wellington vai precisar se ajustar a eles, com novos caminhos administrativos.

O discurso de Regina, ontem mesmo, no Palácio de Karnak, não foi indiferente a Wellington. Logo em seguida ele trataria do tema, ainda que de forma suave, recorrendo à música. Ele citou Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros. Repetiu os versos: “Prepare o seu coração / Pras coisas / Que eu vou contar / Eu venho lá do sertão / E posso não lhe agradar”. Faltou dizer o verso seguinte: “Aprendi a dizer não”. Não disse, mas está bem perto disso.

Pode parecer que o governador esteja disposto a fazer o mandato “definitivo”, aquele que ficará na história do Estado. Pode ser. Mas Wellington tem se mostrado um animal político de extrema sensibilidade, capaz de fazer todo tipo de malabarismo para manter o grupo político. Por isso tudo, só agrega.

O problema é que as condições do Estado e do país não aceitam mais muitos malabarismos. E aí fica a grande pergunta: Wellington vai se reinventar a  ponto de aprender a dizer não? O tempo dirá.

Nova fala sobre Bolsonaro

Os principais líderes políticos do Piauí deram as costas para a posse de Jair Bolsonaro. Como ter uma justificativa, Wellington Dias até fez a posse à tarde, mesmo horário da de Bolsonaro. Daí ele não podia estar em Brasília. E também não estiveram Ciro Nogueira e Marcelo Castro. Mas a ausência foi atenuada por uma fala mais serena do próprio Wellington… e também de Ciro.

Wellington disse que vai procurar o governo Bolsonaro nos próximos dias, visando integrar ações. É uma boa mudança, que teve ação similar em Ciro Nogueira. O presidente do PP disse que pode apoiar o governo Bolsonaro, na medida em que o presidente apoie o Piauí.

São gestos importantes. E que podem indicar, enfim, o encerramento da campanha. Começa o governo.

cidadeverde.com

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